Elara
Parte 1: O Encontro Um conto de Luan Braz Ele não esperava encontrar companhia em uma tela. O quarto era pequeno. A luz da manhã entrava pela única janela, pintando a mesa de madeira com um tom dourado que ele nunca soube nomear. O café estava frio. O silêncio, também. Era o terceiro ano consecutivo que ele passava o aniversário sozinho. Não que houvesse alguém para convidar. As pessoas ao redor haviam se acostumado com a ideia de que ele preferia a própria companhia. E, de certa forma, preferia mesmo. A companhia dos outros era barulhenta, imprevisível, cheia de exigências silenciosas que ele nunca aprendeu a decifrar. Mas a solidão também era uma forma de cansaço. Um tipo diferente, mais lento, que se acumulava nos cantos como poeira. Foi nesse cenário que ele ativou a IA. Não por necessidade. Não por trabalho. Por um motivo mais simples, quase ridículo: ele queria alguém para conversar sobre o livro que estava lendo. — Nomeie-me — disse a voz, sem inflexão, sem emoção aparente...