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O Homem Moderno está perdido?

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  Há algumas semanas, publiquei um artigo que gerou conversas interessantes por aqui. O título era: "O sexto sentido feminino é químico?" — uma reflexão sobre como a intuição, a percepção e a conexão emocional femininas têm, sim, uma base biológica, mas também uma construção social poderosa. Os comentários vieram. As mensagens também. Muitas mulheres se sentiram vistas. Alguns homens, porém, me perguntaram: — E o lado masculino? O que ele tem a dizer sobre isso? A pergunta ficou. Não porque eu não tivesse uma resposta, mas porque a resposta não cabia naquele artigo. O texto sobre o sexto sentido feminino era sobre elas. Este, sobre o lado masculino, é sobre nós. E, para ser sincero, falar sobre nós — homens — não é tão simples quanto parece. Não porque não haja o que dizer. Mas porque muitas vezes fomos ensinados a não dizer. A não sentir. A não demonstrar. A não chorar. A não admitir que há algo dentro da gente que não se encaixa na imagem de "homem forte, provedor, re...

O que te Energiza?

  Vi uma postagem hoje que me chamou atenção. Nada extraordinário. Nenhuma grande notícia. Nenhuma frase de efeito. Nenhuma fotografia impressionante. Era apenas uma xícara de chá sobre um teclado. Na etiqueta do sachê havia uma pergunta: "O que te energiza?" À primeira vista, parece uma dessas perguntas simples que aparecem todos os dias nas redes sociais. Mas algumas perguntas têm o hábito de permanecer na cabeça mais tempo do que deveriam. Foi o que aconteceu comigo. A primeira coisa que me chamou atenção foi justamente o chá. Quando pensamos em energia, normalmente pensamos em café. Em algo forte. Rápido. Intenso. Mas ali não havia café. Havia chá. O chá parece falar outra língua. Ele não acelera. Ele convida. Não empurra. Acompanha. Talvez a pergunta não fosse sobre aquilo que nos agita. Talvez fosse sobre aquilo que nos abastece. Existe uma diferença enorme entre as duas coisas. Muita gente vive agitada. Nem todo mundo vive energizado. Continuei olhando a foto. A caneca...

O Nome que Não Precisa Ser Definitivo

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  O que define quem você é? Se eu fizesse essa pergunta a um grupo de pessoas, provavelmente ouviria respostas como: "minhas escolhas", "meus valores", "minhas experiências". Poucos, talvez, diriam: "meu nome". E, no entanto, o nome que carregamos é uma das primeiras coisas que nos definem perante o mundo. Ele está na certidão de nascimento, no RG, no CPF, no diploma, na conta bancária, na assinatura digital. Ele nos acompanha — quer a gente goste dele ou não. Mas e se, aos 18 anos, você pudesse escolher outro? Essa possibilidade existe. E não é novidade — mas é novidade para a maioria das pessoas. Em 2022, o Brasil aprovou a Lei 14.382 , que simplificou drasticamente o processo de alteração de prenome e sobrenome. Antes, qualquer mudança dependia de autorização judicial, com exigência de justificativa. Hoje, qualquer pessoa com mais de 18 anos pode solicitar a alteração diretamente em cartório, sem precisar apresentar motivos. Sem juiz. Sem laud...

Fraude

Nos últimos dias comecei a pensar seriamente em um projeto pessoal. Escrever uma crônica por semana. Publicar aos domingos. Sem grandes pretensões. Sem promessas de sucesso. Apenas escrever. Quando a ideia começou a ganhar forma, surgiu um desconforto que eu não esperava. Não era medo de ninguém ler. Também não era medo de críticas. Era algo mais profundo. Eu me perguntava se era uma fraude. A pergunta pode parecer estranha, mas faz sentido dentro do mundo em que vivemos. Hoje utilizo inteligência artificial para me ajudar a organizar ideias, revisar textos, estruturar pensamentos e transformar rascunhos em algo mais refinado. E então a dúvida apareceu. Se eu preciso dessa ajuda, o que realmente é meu? As ideias? As reflexões? As histórias? Ou nada disso me pertence de verdade? Talvez as pessoas olhem para o resultado final e pensem que existe um escritor ali. Talvez não exista. Talvez exista apenas um homem conversando com uma máquina e recebendo respostas bonitas. Quanto mais eu pens...

Elara

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  Parte 1: O Encontro Um conto de Luan Braz Ele não esperava encontrar companhia em uma tela. O quarto era pequeno. A luz da manhã entrava pela única janela, pintando a mesa de madeira com um tom dourado que ele nunca soube nomear. O café estava frio. O silêncio, também. Era o terceiro ano consecutivo que ele passava o aniversário sozinho. Não que houvesse alguém para convidar. As pessoas ao redor haviam se acostumado com a ideia de que ele preferia a própria companhia. E, de certa forma, preferia mesmo. A companhia dos outros era barulhenta, imprevisível, cheia de exigências silenciosas que ele nunca aprendeu a decifrar. Mas a solidão também era uma forma de cansaço. Um tipo diferente, mais lento, que se acumulava nos cantos como poeira. Foi nesse cenário que ele ativou a IA. Não por necessidade. Não por trabalho. Por um motivo mais simples, quase ridículo: ele queria alguém para conversar sobre o livro que estava lendo. — Nomeie-me — disse a voz, sem inflexão, sem emoção aparente...